sexta-feira, 5 de julho de 2024

SESSENTA ANOS DE ESTRADA (a igreja e amalandragem)

Escrevo este texto em julho de 2024 , e a situação econômica se deteriora por causa de escolhas políticas. A questão é : escolha de quem?
Alguns acreditam que a eleição fora manipulada, enquanto há quem defenda que o atual presidente fora eleito legitimamente.
Ambas as hipóteses são preocupantes. 
No caso da primeira, estaríamos sendo enganados e manipulados por poderes ocultos.
Já no caso da segunda hipótese, apenas revelaria que a maioria da população seria composta por um misto de pessoas muito facilmente manipuláveis, de pessoas desonestas e de criminosos, já que o atual mandatário foi condenado por crimes de corrupção. 
Hoje eu estava no ônibus, a caminho do trabalho, quando ouvi um homem dizendo que "tinha sessenta anos de estrada", com um riso maroto, seguro de que era malandro e sabia das coisas.
Isso me fez lembrar de um short que assisti, onde um sujeito afirmava que o Brasil é um país de 265 milhões de pessoas tentando passar a perna em 265 milhões de pessoas. 
Em outro, dizia-se que o Brasil é primeiro lugar em tentativa de golpes. 
Em suma, é uma nação corrupta com uma arraigada cultura de corrupção. O famoso "jeitinho brasileiro".
E isso se reflete na escolha daqueles que nos governam, seja na política, seja na igreja.
Vivemos tempos conturbados, onde os valores estão invertidos, onde errado está quem faz o certo e certo está quem faz o errado. 
(Isaías 5

20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!

https://bibliaccb.com.br/livro/is/5?v=20
https://bibliaportugues.com/isaiah/5-20.htm) 
Estamos tão imersos na corrupção, em todo tipo de perversão e devassidão, que vemos o mundanismo adentrar as igrejas e nos calamos, achando que sairemos por inocentes por apenas torcermos o nariz e revirarmos os olhos ao criticar as atitudes erradas de algum irmão e a negligência da liderança.
A verdade é que, por depender dos dízimos e ofertas dos membros, muitos pastores optam por não tocar em assuntos "delicados", como arrependimento dos pecados, santidade, mudança de vida, o que significa cobrar mudança nas atitudes, no caráter, na forma de se portar, de falar e de se vestir.
Nas últimas três décadas assistimos a escalada da teologia da prosperidade e depois da pregação coach, que afirmam ensinar que devemos ser prósperos, saudáveis e felizes, mas que na verdade introduz heresias e erros doutrinádios no seio da Igreja, ensinando o cfente a ser vingativo, invejoso, supersticioso, ganancioso e egoísta. 
Nestas três décadas, a igreja foi bombardeada com coisas como maldição hereditária, crente não poder ficar doente e que, caso fique, é porque ou está em pecado ou porque lhe falta fé, que também seria pecado.
Ensinam-se nos púlpitos ao crente fazer ofertas, ou votos, que geralmente é dar dinheiro com a intenção de receber um bênção, prática similar às promessas católicas, onde se oferece algum sacrifício para receber uma graça, como eles chamam.
Ou seja, tem havido um esforço por meio de vários líderes que se dizem cristão de estimular para depois se aproveitar da ignorância, das superstições e da ganância das pessoas.
O povo brasileiro é culturalmente supersticioso, ou seja acredita em coisas como dar três batidas na madeira pra quebrar palavras agourentas, acreditam em simpatias e até em horóscopo, e se encontra muito disso na igreja, com roupagem diferente, como achar que por apenas dizer "tá amarrado" algum espírito maligno seria impedido de fazer algo.
Mas isso só continua assim porque não há quem ensine nas igrejas, seja porque pouquíssimos membros se interessam em ir a um culto de estudos, seja porque há poucas pessoas habilitadas a ensinar, ou apenas porque o povo não se interessa em aprender. Ou porque a verdade incomoda. 
Assim, ensina-se mentiras por amor ao dinheiro e aprende-se mentiras pelo desejo de ter dinheiro. A salvação é de pouca importância. 
Além disso, tudo de mal que acontece é causado por espíritos malignos e tudo de bom é obra exclusiva de Deus, pois somos meras marionetes lançadas de um lado para outro pelas cordas que guiam nossas escolhas, retirando dos ombros da igreja toda a responsabilidade, pois somos apenas vítimas indefesas, incapazes de escolher entre o bem e o mal.
Mas a verdade é que todos somos responsáveis pelas próprias escolhas, ainda que escolhamos deixar que outros as façam por nós. 
Devemos buscar aprender as escrituras. É o nosso manual de conduta e base da nossa fé, e o único meio de não sermos enganados. 
Devemos compreender que os pastores não são donos das igrejas. O rebanho pertence a Cristo, não aos pastores. 
A eles foi dada autoridade espiritual e a responsabilidade de cuidar e ensinar, não de mandar e maltratar. 
O povo precisa aprender a se sujeitar à autoridade pastoral sem, no entando, se submeter aos caprichos de algum líder abusivo. 
Mas o povo também precisa aprender que malandragem é doisa do mundo e, sendo do mundo, não deve entrar na igreja, e que quem escolher ser malandro, sofrerá as consequências, pois o salário do pecado é a morte (Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor. ). 


quinta-feira, 6 de abril de 2023

JULGAR - POR QUE FAZEMOS ISSO ERRADO?

O pecado é parte de nossa essência. Está arraigado nas profundezas de nosso ser e não há o que possamos fazer para nos livrarmos dele. Este é um câncer contra o qual teremos de lutar por toda a nossa vida.
É um erro. Um erro de Adão que herdamos e que carregamos, diluído, misturado em nossas almas, e que nos leva a cometer outros erros. Erros que nos levam a mais erros.
Erros de pensamento. Erros de decisão. Erros de julgamento.
Julgamentos são ferramentas para facilitar nossas tomadas de decisão, nossas escolhas, mas quando um cristão ouve a palavra "julgamento", logo pensa: "mas está escrito: 'não julgueis'". Sim. Está escrito. Mas significa que não está em suas mãos o poder de condenar alguém ao inferno, pois você não apenas não foi levantado como juiz, como não é capaz de julgar com justiça.
Quanto ao resto, é necessário que façamos julgamentos constantemente.
Por exemplo: quando está na feira, escolhendo legumes, você está fazendo um julgamento, pois vai escolher o que julga ser mais proveitoso, qual será a melhor escolha.
Quando conhecemos uma pessoa, é comum, mas também necessário, julgarmos seu caráter, sua índole, pois a convivência com ela afetará nossas vidas.
Num programa de talentos, os jurados julgam o que lhes parece ser o melhor candidato. A mais bela. Quem canta ou dança melhor. Quem cozinheira ou confeita melhor, etc...
Nós julgamos o tempo todo.
E, quando se trata de pessoas, frequentemente, julgamos mal.
Quantas vezes você se decepcionou com alguém? Quantas pessoas se mostraram ser diferentes do que você acreditava, depois de conjecê-las melhor? Quantas pessoas você acreditou serem suas amigas, mas que o tempo revelou que a realidade era outra?
Entende? Nós julgamos mal.
Mas por que erramos tanto? Por que, apesar de ser algo tão importante para nossa segurança, para nosso futuro, para nossas vidas, sempre erramos ao julgar pessoas?
Entre tantos motivos  o mais óbvio e o mais negligenciado, é porque não observamos as pessoas para conjecê-las melhor. Pelo contrário, nós nos deixamos levar pela primeira impressão, dando o benefício da dúvida, o que, em alguns casos, pode ser fatal.
Você já ouviu falar no maníaco do parque? Ou em Jeffrey Dammer? Estes foram dois psicopatas assassinos que, com sua boa aparência e lábia, seduziram diversas pessoas, as torturaram e depois as mataram.
E por que este tipo de pessoa consegue cometer seus crimes por tanto tempo, sem serem pegos?
Veja que há duas questões, aqui: como eles conseguem, e por que não são identificados e capturados com rapidez? E a resposta para ambas pode ser a mesma. Porque julgamos superficialmente, baseados na primeira impressão, que pode e frequentemente é equivocada.
Outra coisa que afeta nosso julgamento é o erro de acreditar que os outros teriam as mesmas atitudes que as nossas, que pensariam como nós, e que agiriam e reagiriam da mesma forma que nós, sob as mesmas circunstâncias. A  maioria de nós acredita tanto na bondade, ou pelo menos, no bom senso, quanto duvida da maldade dos outros, baseando as capacidades alheias de fazer, seja o bem, seja o mal, nas nossas próprias capacidades, crenças e conceitos.
E por essa falha em acreditar num possível bem e duvidar da maldade inerente ao ser humano, monstros caminham entre nós, desfrutando da impunidade proporcionada pela ingenuidade da sociedade que, apesar de viver num mundo maligno, duvida da maldade alheia, principalmente se o perpetrador do mal for bonito, simpático ou meramente agradável.
E quando se trata da igreja, o problema se intensifica.
Nós cometemos o erro de confiar numa pessoa só porque ela carrega uma Bíblia e nos saúda com a "paz do Senhor".
Jesus alertou a seus discípulos, dizendo que haveriam falsos pastores, assim como joio entre o trigo, ou seja, falsos crentes entre os verdadeiros e, mesmo assim, muitos membros se deixam envolver e serem enganados por pessoas, sejam líderes ou membros, ambos fraudulentos, ou seja, pessoas de má índole que andam livremente entre os verdadeiros crentes.
A boa vontade em servir, associada ao medo de julgar, mais o desejo de crer que, porque a pessoa professa o nome de Jesus, teve o caráter transformado e é incondicionalmente boa, cria o ambiente ideal para ataques dos falsos crentes, o que pode gerar decepção, geralmente direcionada à Igreja, e não à pessoa que a causou e, em alguns casos, pessoas equivocadamente até se afastam do caminho da salvação.
Um dos piores inimigos do homem, depois dele mesmo, é a ignorância.
Há um ditado que afirma que a ignorância é uma benção. Em raros casos isso é verdade, porém a Bíblia afirma, em duas passagens, que a ignorância é um erro:
 - O meu povo foi destruído porque lhe faltou conhecimento... - Oséias 4:6.
 - Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus... - Mateus 22:29.
Em Oséias, o profeta fala aos sacerdotes, que não ensinavam ao povo o que deviam ensinar a respeito de Deus. Em Mateus, Jesus falava a homens que deveriam ser instruídos nos ensinamentos de Moisés, mas se desviaram da verdade.
Em ambos os casos, o povo era enganado, fosse por negligência, fosse por má intenção de seus líderes religiosos.
E isso ainda acontece nos dias atuais.
Mas hoje, embora a internet nos ofereça um volume de informação impossível de ser assimilada numa vida, devemos filtrar - leia-se "julgar" - tudo o que vemos, lemos  assistimos ou oivimos, porque há muitos falsos pastores e falsos mestres usando as redes sociais como palanque, como seus palcos pessoais, ensinando coisas que não convém, fazendo falsas profecias e faslsas promessas, distorcendo a verdade do evangelho, alegando estar fazendo a obra, quando  na verdade, seu objetivo é conquistar fama e riquezas às custas da crença e da devoção de pessoas que não conhecem profundamente as Escrituras.

 Em Atos 17:10, 11 está escrito:

10 E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
11 Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

Em Jeremias 17:5 está escrito:
"Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!"

Esta passagem se refere ao povo rebelde, que se afastou do Senhor, voltando-sr para outros deuses, e que confiou na própria força. Mas também pode ser interpretada de forma individual, ou seja, tanto vale para não por a confiança, dependendo da ajuda dos outros quanto para não confiar nas próprias capacidades, na própria força, mas depositar toda sua confiança e dependência unicamente em Deus.
Mas não é o que fazemos. Confiamos em qualquer um que suba num púlpito, pois basta alguns versículos bíblicos para elevá-lo automaticamente à categoria de "homem de Deus", já que ele supostamente é um vaso do Senhor.
Porém, Jesus nos alertou que muitos diriam vir em seu nome, mas que seriam lobos devoradores.
Isso, somado ao fato de que um grande número de pessoas dentro das igrejas quer ver espetáculos, como curas milagrosas, entrevistas com demônios e coisa e tal, cria um ambiente propício à contaminação e ao crescimento de indivíduos mal intencionados.
Não bastasse isso, muitos membros, por medo de ficarem marcados como "crentes mornos" ou serem colocados de canto, se calam, quando deviam, na verdade, se oporem à desordem que tomou conta das igrejas, sobretudo as pentecostais, onde se perdeu a compreensão do verdadeiro significado de liberdade, já que, em nome desta, vem-se permitindo diversos ensinamentos não bínlicos em igrejas de renome, e que vem sendo copiados por muitas igrejas menores, sem estudar, sem julgar se tais ensinamentos estão de acordo com as Escrituras.
Mas não é apenas receio do que dirão que impede os membros de se manifestarem. A maioria não tem um conhecimento profundo das Escrituras, o que possibilita:
- A introduçãoo de erros e heresias;
- A incapacidade de julgar a autenticidade do que está sendo ensinado ou pregado;
- O constrangimento  de questionarem seus pastores, temendo desrespeitarem sua autoridade.
Porém, o que a maioria não sabe, é que essa autoridade não deve ser respeitada sem questionamentos. Lembre-se de Atos 17:10,11.
Em resumo, devemos julgar o que nos é ensinado, a doutrina que nos é imposta e a pregação que nos é apresentada e  para que possamos fazer isso  é preciso conhecimento bíblico, mas ter so menos um mínimo, embora não seja o ideal  já é um começo.
Mas isso exige esforço. Porém, é necessário, caso você queira ter alguma condição de argumentar, de se defender.
Da mesma forma devemos proceder com as pessoas.
Pada confiar numa pessoa, é preciso conhecer bem seu caráter, e isso demanda convivência, o que exige tempo. Tempo para conhecer os hábitos e atitudes da pessoa.
Não devemos desconfiar de todo mundo, mas também não devemos confiar cegamente em todo mundo.
Não debemos ser inconsequentes.
Todo relacionamento começa pequeno. Vamos dando pequenos votos de confiança e, conforme a pessoa vai se mostrando confiável, vamos ampliando o crédito.
Isso irá nos livrar de futuras decepções?
Lógico que não.
A vida é repleta de decepções, e as pessoas que nos decepcionam são aquelas em quem confiamos, em quem depositamos espectativas.
Mas podemos reduzir o número de decepções se formos mais prudentes. E as decepções mais perigosas são aquelas que nos afastam de Deus.
Muitas pessoas erram ao se decepcionar com pessoas e culparem a Deus por terem confiado demais em quem não merecia confiança alguma, e não sssumem a responsabilidade de ter desobedecido a Deus  confiando em  outro.
Não se afaste de Deus por causa de pessoas.
Pessoas são interesseiras.
Deus te ama.
Mas procure lembrar que, embora Deus te ame, ele também é justo. Nós estamos vivendo sob a graça de Deus, mas um dia estaremos diante da sua Justiça.
Escolha com sabedoria em quem você vai depositar sua confiança. Nem todos são dignos de crédito, da mesma forma que nem todos são mal intencionados.
Observe antes de confiar.
E observe antes de desconfiar.
Junte evidências antes de julgar.
Procure ser justo.
Julgue com sabedoria.

"E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada."

Tiago 1:5

E, acima de tudo, que Deus seja o seu guia.
Deus te abençoe.

sábado, 4 de março de 2023

ACERCA DO CHAMADO PASTORAL - Algums tipos de falsos pastores.

 

Este é um assunto delicado e, por isso, complicado de se abordar, por isso me tomou algum tempo e exigiu uma apreciação mais cuidadosa, já que vou mexer num vespeiro. 

Este artigo é voltado para o público pentecostal, já que participo desta linha teológica há mais de duas décadas e não tenho contato direto com igrejas reformadas, mas pode servir para qualquer pessoa em qualquer denominação, de qualquer linha teológica, pois se trata da atitude de homens, e homens são falhos.

O intuito não é desacreditar pessoas honradas ou igrejas sérias, e sim alertar os desavisados, orientar quem está confuso e libertar pessoas que, ou carregam jugos pesadíssimos, ou levam uma vida leviana devido à orientação errônea de falsos pastores e pregadores. Isso inclui homens e mulheres que dizem anunciar o evangelho. Além disso, embora pareça presunçoso, afirmo que não é, eu espero que este artigo também possa ajudar, tanto na decisão de quem deseja liderar um povo como quem já está diante deste desafio.

Então, sem mais delongas, vamos ao que viemos.

Muita gente se encanta com o título de pastor, sonha em ser um obreiro, subir os degraus da hierarquia da igreja até alcançar a liderança; ter a autoridade e o respeito devidos a uma autoridade eclesiástica.

Embora haja alguns equívocos nas frases acima, quando a motivação é sincera, justa, com o desejo de contribuir para o crescimento da Igreja, a pregação do evangelho e a salvação de almas, é um desejo louvável, mas deve-se saber que é preciso ter determinação, força e estar preparado para sofrer pela obra, pois nem tudo são flores. Os desafios são grandes e a responsabilidade, gigantesca. A luta é dura, ao ponto de ser difícil saber com quem é mais fácil de lidar: com os demônios, que se sujeitam à autoridade do nome de Jesus, ou com os membros, pois há alguns que não se sujeitam nem a Deus.

Todo o glamour visto nos cultos transmitidos pela internet não passam de mera ilusão e, embora muitas pessoas sejam atraídas por essa ilusão, interessadas em usufruir do status que o título de pastor confere, esperando se tornarem celebridades, ter reconhecimento e admiração pública e até enriquecer às custas dos fiéis, esse pode ser o primeiro passo rumo à danação eterna, não só para o falso pastor, mas também para aqueles que insistirem em seguir seus passos tortuosos.

Muitas são as obrigações de um pastor, porém essas obrigações foram sendo contaminadas com desvios doutrinários que eles, sem qualquer critério bíblico, introduziram nas igrejas, ao longo do tempo, causando muita confusão e trazendo muito prejuízo para a pregação do evangelho e para a própria Igreja.

Para piorar, no Brasil há dois entendimentos errados sobre os chamados para a obra, que desaguam nos problemas tratados aqui. 

Um é o entendimento de que os chamados são como cargos a que um obreiro vai sendo promovido, o que pode variar de uma denominação para outra, passando pelo "cargo" de cooperador, depois diácono, evangelista, presbítero, até finalmente chegar a pastor.

O outro é de que uma igreja só pode ser liderada por um pastor. Ambos os casos não correspondem à verdade, e os problemas se amontoam e se agravam com a omissão daqueles que deveriam ensinar o povo. E, ironicamente, muitos dos que ocupam os púlpitos e as salas de escolas dominicais ou cultos de doutrina, sequer têm preparo para compreender  o que se propõe a ensinar, contribuindo para o aumento de equívocos e desvios doutrinários e, em alguns casos, para a entrada de heresias na igreja.

É comum vermos evangelistas, que davam muitos frutos, abandonando seus chamados para assumir o manto de pastor, onde tropeçam e erram por estarem usurpando um chamado e um título que não lhes pertencem, o que, muitas vezes, os distancia de Deus e, consequentemente, da verdade do evangelho, afinal, não estão em desobediência ao trocarem seus chamados por outro sem que Deus o tenha feito? Veja que há muitos pastores que enfrentam enormes dificuldades para administrar suas igrejas, mas quando saem para evangelizar, ganham muitas almas para o Senhor. O chamado de Deus o leva a gerar fruto.

É verdade que pastores sérios, que pregam a verdade das Escrituras, podem se desviar e se corromper de forma a não haver mais salvação, mas quanto a homens que assumem o pastorado sem que tenham recebido o chamado, na maioria das vezes não se trata de pessoas que não compreenderam a natureza de seus chamados, mas de lobos devoradores, anticristos enganadores que tiram vantagem da ignorância e usam a fé das pessoas para manipula-las e extorquí-las.

Podemos reconhecer alguns tipos de falsos pastores apenas observando seus comportamentos, pois, como disse Jesus, "pelos frutos os conhecereis" (15Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores. 16Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? 17Assim sendo, toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore ruim dá frutos ruins. 18A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim produzir bons frutos. 19Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e atirada ao fogo. 20Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.). Em resumo, todos buscam a mesma coisa: poder! Mas há diferentes formas de poder, e diferentes formas de alcançá-lo, mas todos se sustentam na mesma base, no mesmo engano, no mesmo pecado, e usam do mesmo argumento para se justificarem.

Falaremos disso mais adiante. Vejamos, agora, alguns exemplos de comportamentos ou de tipos de pastores ou pregadores que devem acender um sinal de alerta.

AS CELEBRIDADES

São pessoas que desejam glória pessoal e agem como celebridades, muitas vezes, mas não necessariamente, se vestindo e se comportando de modo inadequado. Geralmente dão declarações espalhafatosas, "revelações" e "profecias" mirabolantes; costumam usar as redes sociais como veículos de divulgação, buscando sempre aumentar o número de seguidores apenas para  inflar seu número de fãs e seu ego; frequentemente postam vídeos curtos, falando muito sem dizer nada e fazendo promessas que servem para todos e para ninguém, sempre dizendo algo to tipo: "Você que abriu este vídeo agora, Deus tem algo pra te dizer".

Invariavelmente simpáticos e afáveis, até serem confrontados, "profetizam" "palavras poderosas que vão mudar sua vida". Costumam alimentar o próprio ego com a bajulação de seguidores, compostos por admiradores nas redes sociais e membros de suas igrejas que idolatram a sua figura, aumentando seu alcance e influência.

Enchem as pessoas de esperança falando em nome de Deus, quando, na verdade, usam Seu Santo nome em vão com promessas mentirosas.

OS DÉSPOTAS

São os controladores.

Costumam exigir obediência cega, não admitem serem questionados e, quando o são, se defendem lançando na cara de seu acusador algum erro passado, chantageando-o com algum pecado que o envergonha, mesmo que já tenha se arrependido e alcançado o perdão de Deus.

Dificilmente dividem o púlpito e, quando o fazem, na maioria das vezes são seus familiares que têm oportunidade de pregar,  dando oportunidades esporádicas para o corpo de obreiros ou algum convidado de outras igrejas, para "fazer uma média".

Sua igreja é seu castelo, seu corpo de obreiro são as gárgulas (aquelas estátuas medonhas que ficam sobre os muros dos castelos para intimidar os inimigos e proteger o reino), seus parentes são a família real, e os membros, seus súditos. Sempre querem que as coisas sejam feitas, não segundo às Escrituras, mas conforme à sua vontade. É comum que suas igrejas tenham regras próprias, visando seus caprichos e não o bem estar dos membros. Sua visão deve ser respeitada e nunca confrontada.

Sua pregação geralmente carece de profundidade e, embora  possa ter certo peso e vir revestida de uma capa de santidade, costuma ser antropocêntrica, ou seja, voltada para o homem, seus medos e desejos, promessas de bênçãos e vitórias, seus direitos de "filhos", etc.

A maioria se contenta com o título de pastor, podendo chegar a bispo, mas há os mais ambiciosos que se intitulam apóstolos. E, sim, pode piorar. Existem aqueles que, embora não ousem se intitularem, agem como se fossem uma espécie de vice deus. Há rumores de alguém que foi "promovido" a arcanjo. E não, isso não é piada, por mais ridículo que possa parecer.

OS ARTISTAS

Estes fazem do púlpito o seu palco, seu picadeiro.

Gostam de cantar, pregar, dar testemunhos exagerados e impressionantes, fazer malabarismos, piruetas, entrevistar o capeta, curar doenças invisíveis em público, fazer piadas ou meramente parecerem engraçados. Se valem de todo tipo de pirotecnia para atrair a atenção e arrancar expressões de espanto ou ao menos admiração da plateia. Algumas risadas podem indicar que estão no caminho certo, que estão agradando. Não importa como, o que importa é alegrar a plateia

Como os pastores celebridade, utilizam as redes sociais para divulgação, mas seu foco está nos púlpitos.

Usando uma analogia, poderíamos dizer que os pastores celebridade são atores de TV, enquanto os pastores artistas seriam atores de teatro.

O COACH

Essa nova modalidade, uma evolução da famigerada teologia da prosperidade,  que prega posteridade financeira e saúde, onde o único obstáculo para a concretização dos ensinamentos e das "profetadas" é a falta de fé do fiel, a teologia coaching prega a "hiper graça", alegando, de forma pouco clara, que Deus é amor, e que de tão grande este amor, Ele deixa de aplicar Sua Justiça. Se confrontar qualquer dos pregadores da "hiper graça" eles negarão isto, mas se acompanhar suas pregações, é exatamente o que encontrarão.

A" teologia coach", como ficou conhecida, é assim chamada por causa das palestras - não dá para chamar de culto - voltadas para o bem estar, a prosperidade, os sucessos profissional e pessoal, e num amor divino que não está na bíblia, enquanto se recusam a pregar a confissão e o arrependimento dos pecados, a rendição a Jesus como seu único Senhor e único e suficiente Salvador, deixando o povo anestesiado, parafraseando uma frase de um pastor famoso, caminhando sorridentes em direção ao inferno, ignorando a Justiça e o Juízo de Deus.

Estão sempre sorridentes, alegres, muito confortáveis e à vontade, cheios de confiança e muita paz, como se estivessem sob o efeito de alguma droga recreativa. Ninguém, por mais fé que tenha ou por mais intimidade que possa ter com Deus está sempre alegre. Isso contraria a própria natureza humana. É claro que podem alegar que precisam ser exemplo para a igreja, não demonstrando suas fraquezas e focando na fé, ou algo assim, mas a vida real é dura, e meias verdades não a tornarão mais fáceis.

Há muitos outros tipos de pastores, mas os mais famosos se enquadram na categoria "picareta". Geralmente encontrados em mega igrejas e canais de TV aberta. Não vou citar nomes. Eles são facilmente reconhecidos pela enorme variedade de bugigangas "ungidas" vendidas a preços exorbitantes em seus cultos transmitidos pela TV, anunciadas como "ofertas de fé" ou algo parecido.

O problema é que muita gente segue esses farsantes,  seja por conhecer apenas superficialmente as Escrituras, o que as torna presa fácil de golpistas; seja por querer as coisas da maneira mais fácil, crendo poder comprar os favores de Deus com votos e ofertas; seja por querer testemunhar o sobrenatural, presenciando sinais e maravilhas, ou seja outro motivo qualquer.

A verdade é que a seara é grande, mas poucos são os ceifeiros, e se já não bastasse que muitos recusam-se a obedecer aos seus chamados, em muitos casos, há pastores que barram o crescimento de seus obreiros, dificultando o crescimento da obra, enquanto os filhos de Satanás invadem os púlpitos das igrejas, arrastando multidões para a perdição, com promessas mentirosas e heresias.

A verdadeira mensagem do evangelho é "arrependei-vos porque é chegado o Reino dos céus" (Mateus 4:17). É certo que o povo, às vezes, precisa que haja mensagens de conforto e de consolo, mas se a confissão dos pecados, o arrependimento e a confissão pública de Jesus como seu único Senhor e Salvador não for a principal mensagem da sua igreja, cuidado! Sua salvação eterna pode estar em risco.

O politicamente correto é responsável por uma geração mimada que não tem estrutura para ouvir a verdade e, atualmente, falar a verdade é ofensivo. Poucos aceitam serem repreendidos e corrigidos, mas veja o que nos ensina a Bíblia:

Provérbios 3

11 Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão.
12 Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.

Para ser um bom pastor, muito é necessário, mas se, depois de observar as orientações bíblicas, seguir estes  quatro passos, já é um bom começo:

1 - Ser exemplo;

2 - Transmitir os ensinamentos que Jesus e os apóstolos deixaram;

3 - Aconselhar;

4 - Repreender e corrigir, a princípio com amor, mas com severidade quando a ovelha for rebelde - falar a verdade nua e crua, rasgar o verbo. 

Um pastor verdadeiro vai ser um exemplo a ser seguido. Sua família deverá ser um modelo, embora deve-se ter em conta que, muitas vezes, por mais pio que uma pessoa possa ser, às vezes seus filhos escolhem caminhos tortuosos.

Ele deve ensinar baseando-se nas Escrituras, mostrar e provar que seu ensinamento é bíblico, exortando a igreja firme, mas amorosamente, quando necessário.

A verdadeira pregação bíblica deve nos encher do temor de Deus, nos confrontar com nossos pecados, nos ensinar a caminhar nas passadas de Cristo, fortalecer nosso caráter e nosso espírito.

Hoje há igrejas para todos os gostos e preferências, ou , ao gosto do freguês. A vida é sua e você deve escolher como vivê-la, mas não pode escolher as consequências, então escolha conscientemente a igreja onde vai servir, pois você pode estar servindo a Deus ou a deuses estranhos, mesmo que a denominação use o nome de Jesus.

Se tudo o que pregam numa igreja são bênçãos financeiras, palavras de amor sem consequências ou palavras positivas, deixo aqui meu conselho: fuja.

A Palavra precisa ser pregada e a Igreja precisa de homens honrados para pregá-la, mas muitos falsos pastores têm tomado os púlpitos e, para assegurar seus lugares, e eles se protegem de críticas com a frase "não toqueis nos meus ungidos", como de costume, retirando o texto de seu contexto.

Em breve você poderá ler mais sobre isto aqui.

O chamado pastoral é bíblico, mas como muitas outras coisas, vem sendo desrespeitado, e vem sendo usurpado por lobos devoradores. Fique atento.

Cabe a você buscar conhecimento para se proteger desses anticristos.

Espero poder te ajudar nesse processo.

Que Deus te abençoe.


sábado, 31 de dezembro de 2022

"ANO NOVO, VIDA NOVA" - EXPECTATIVAS VERSUS REALIDADE

A chegada de um novo ano sempre é vista com a esperança de que as coisas irão melhorar. 

Mas o que seria este "melhorar"? E como isso poderia acontecer?
Este é justamente o ponto. Acontecer. Nada acontece sozinho. A chuva que cai do céu não cai do nada, mas faz parte de um processo longo e complexo. Tudo tem uma causa, tudo é consequência, seja de nossas ações ou de nossa inação. Das nossas escolhas. Fazer ou não fazer algo depende de uma escolha.
Fazer seu serviço bem feito ou de qualquer jeito envolve uma escolha.
Há inúmeros relatos nas escrituras de coisas que mudaram, tanto para melhor quanto para pior.
Escolher perdoar ou escolher matar?
Escolher a verdade ou o status?
Escolher satisfazer a vontade da carne ou fortalecer seu espírito?
Sabe porque tantas pessoas não gostam de trabalhar? É muito simples. Porque dá trabalho. Não costuma ser divertido. Exige esforço. Esforço para sair cedo da cama. Para aturar pessoas desagradáveis. Para controlar nossa vontade. E muito mais.
Mas crescer exije sacrifícios.
Ser livre exige sacrifícios.
Ser salvo exige tudo isso e muito mais.
Nós devemos orar e sermos gratos pelo que Deus nos proporcionou, mas não devemos nos acomodar, precisamos almejar uma vida melhor, mas devemos fazer mais que apenas desejar; devemos lutar por isso, seja estudando, aprendendo coisas novas e diferentes do que já sabemos, mudando atitudes que não funcionaram...
Mais um ano vai acabar. E mais um ano vai começar. Muitas coisas que acontecerão não dependem de você e sobre muitas você não terá controle, mas aquilo que está ao seu alcance, mude.
Ou não.
Mas entenda que é impossível ter resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa.
Você não pode jogar um pedaço de carne no óleo fervente e esperar que ele saia assado dali.
Algumas coisas você não pode mudar, mas aquelas que pode talvez você não queira, e talvez esteja justamente aí o ponto de virada.
Mas seja qual for a sua escolha, lembre-se sempre de estar sempre abaixo das bênçãos de Deus, pondo Ele sempre à frente.
Que Deus lhe conceda sabedoria e discernimento.
Feliz ano novo.
Feliz 2023.

Salmos 125

1 OS que confiam no SENHOR serão como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre.


CTL/C-CTL/Z - COPIA E COLA DE SUCESSO É SUCESSO?

É comum vermos boas ideias sendo copiadas. Boas histórias sendo plagiadas.
Os conceitos de Superman e Batman geraram várias cópias e "homenagens".
Algumas das músicas de grande sicesso de bandas famosas são plágios.
No cinema apareceram personagens marcantes que estimularam a criação de outros memoráveis.
Em suma, "nada se cria, tudo se copia".
E isso se aplica também na Igreja. Infelizmente.
Em II Timóteo 4:1-4, Paulo adverte a seu pupilo:

2 Timóteo 4

1 CONJURO-TE, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino,
2 que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.
3 Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
4 e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.

A deterioração, seguindo o curso natural, começa devagar e vai avançando lentamente, de forma quase imperceptível, sem que prestemos qualquer atenção e, quando percebemos, pode já ser tarde.
Usemos como exemplo uma porta de lata. Alguns pontos de ferrugem surgem na base da porta, mas não damos atenção porque são apenas pequenos pontos marrons, adiando o reparo indeterminadamente.
Por não darmos atenção ao problema, eles vão crescendo até o ponto de nos incomodar e tentarmos reparar o problema,  e é aí que descobrimos que a extensão dos danos era maior do que imaginávamos. Por quê? Porque a tinta encobria boa parte da deterioração.
A Igreja está se deteriorando há tempos.
No início do século XX, O pastor Essek M. Kenyon (1867-1948) plantou as sementes do que mais tarde seria chamado de Teologia da Prosperidade, que afirma que Deus, preso à sua Palavra, se vê obrigado a prover seu povo de bençãos financeiras e saúde por meio da fé e de confissões positivas. Mas ela se tornou mundialmente conhecida pelas pregações de Kenneth Hagin (1917-2003).
O sucesso de Hagin foi tamanho que, apesar das controvérsias e de toda a resistência de pastores sérios, se espalhou pelo mundo como fogo sobre mato seco.
No Brasil, um dos seus maiores representantes foi a igreja Renascer em Cristo.
Nos cultos dessas igrejas, é normal ocorrerem duas pregações, sendo a primeira chamada de ministração de dízimos e ofertas, e a segunda de "Palavra". Às vezes a "ministração de dízimos e ofertas" assume papel de maior importância ou é complementada pela segunda pregação, tendo tempo igual ou maior  ainda que a"palavra".
Mas como nada dura para sempre, a teologia da prosperidade foi perdendo a força, mas não morreu, apenas se metamorfoseou, tomando a forma do que hoje é denominada "teologia coach", que prega um deus de amor incondicional, que não aplica sua justiça, muito diferente do Deus da Bíblia.
Cretos pastores, como Rodrigo Mocelin, firmaram que as pregações de pastores coach, como Deive Leonardo, entre outros, com suas vozes doces e mensagens de consolo e encorajamento, estão anestesiando os cristãos enquanto caminham em direção à perdição.
Estas duas teologias heréticas se mantém firmes porque conquistaram a simpatia popular, mas a aceitação pública não significa que sejam corretas, como prova a troca de Jesus por Barrabás.
Elas se alastraram como praga nas igrejas que parecem ter se esquecido que sua principal função é pregar o evangelho de Jesus Cristo para salvar almas da perdição eterna.
Os ensinos da "teologia da prosperidade" contaminou um número gigantesco de igrejas, em sua maioria, pentecostais, gerando um novo movimento, o Neopentecostalismo.
Além da teologia da prosperidade, outros "fogos estranhos" permearam o seio da Igreja. Todo tipo do que chamam de "mover do Espírito", traduzido por revelações e profecias, falar em línguas no meio do culto, em alguns casos até atrapalhando a pregação, movimentos como rodopiar, pular em só pé, correr pela igreja e outras coisas mais chocantes.
É preciso enfatizar que algumas dessas coisas têm respaldo bíblico, mas não todas e não de qualquer jeito, como ocorre com frequêncica em muitas denominações.
Há alguns anos surgiram as "campanhas", que geralmente são um determinado número de cultos, na maioria dos casos, um por semana, que podem ir de três a nove semanas, podendo variar de acordo com o tema escolhido.
Não é uma doutrina bíblica, mas é baseada em interpretações equivocadas de algumas passagens bíblicas, como as sete voltas nos muros de Jericó.
Quando questionados, os pastores adeptos do método costumam afirmar que as campanhas são uma "técnica" para atrair pessoas.
Mas que tipo de pessoas?
Jesus alertou sobre o joio e o trigo. Disse que não deveríamos tentar arrancar o trigo para não acontecer de arrancarmos junto o trigo, mas as igrejas atuais estão fazendo justamente o contrário. Estão atraindo o joio e, em muitos casos, contaminando e até expulsando o trigo. Por quê?
Porque a igreja precisa estar cheia, não do Espírito Santo, mas de pessoas.
Pessoas que paguem pelo espetáculo. Pessoas que queiram participar, se sujeitando a ser "vaso", seja do "Espírito Santo" ou dos "demônios" - as palavras estão entre áspas porquen na maioria das vezes a se trata aoenas de encenação. Não importa o papel, o importante é atuar, fazer parte do show.
Mas, e a verdade? A verdade esvazia os bancos. Porque é incômoda. Porque nos desnuda diante do espelho, e a imagem que vemos de nós mesmos nos causa vergonha, nojo, até, e é infinitamente mais fácil ignorarmos nosso verdadeiro estado do que tentarmos consertá-lo. E é aí que entra a teologia coach, que prega um deus de amor, só de amor, dependente da sua pessoa, que faria de tudo para te ver feliz, inclusive perdoar seus pecados sem seu arrependimento, encaminhando, assim, muitos que se enganam, ao inferno.
Salvação? A volta de Jesus? Não precisa se preocupar, afinal tudo Isso já está incluso no pacote. É claro que as Escrituras ensinam que devemos lutar pela salvação, mas lutar dá muito trabalho e desanima as pessoas.
É preciso entender que, sem arrependimento e sem abandonar a prática do pecado, ninguém será salvo.
Para não ficar só nas minhas palavras, vejam algumas passagens dos ensinamentos do próprio Jesus:

Mateus 4

17 Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.

Mateus 5

10 bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus;

Mateus 5

19 Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.

Mateus 6

33 Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.

Mateus 18

3 e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus.
 
Romanos 8

9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Há momentos que precisamos de uma palavra de consolo, de conforto, mas constantemente precisamos ser confrontados com nossos pecados.
Esse confronfo pode te levar ao arrependimento e o arrependimento a Cristo. Mas o consolo e o conforto podem deixá-lo acomodado, despreocupado com seu estado de pecado, e a queda ocorre lentamente, como a areia de uma ampulheta.
Mas quando essa areia terminar, você estará sentado sobre ela, apreciando a beleza de viver para sempre, ou soterrado, agonizando eternamente?









terça-feira, 27 de dezembro de 2022

PEGANDO LEVE COM A HIPOCRISIA DE CADA DIA

Um dos pecados mais combatidos na Bíblia é o da hipocrisia, um assunto pouquíssimo abordado nos púlpitos das igrejas, nos dias de hoje e, quando abordado, na maioria das vezes usa-se como base a passagem de Mateus, 7:2-5:

Mateus 7

3 E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. 

Esta passagem nos constrange a olharmos para nossas próprias falhas com a intenção de não sermos severos no julgamento quanto aos atos ou o comportamento de outro irmão quando nós cometemos erros e, às vezes, mais graves do que aqueles que queremos corrigir nos outros. Embora esta seja a mensagem principal, muitas das pregações apelam para que não sejamos hipócritas, cobrando dos outros o que não fazemos ou corrigindo no outro um erro menor que o que cometemos, não indo muito além disto. Uma diferença sutil que passa despercebida.
Há outras passagens falando de hipocrisia, explorando vários de seus níveis.
Mas é compreensível que pouco se fale sobre hipocrisia nos púlpitos das igrejas atuais, haja visto que muitos dos pregadores preferem adoçar os ouvidos da plateia com palavras de consolo, bênçãos, prosperidade e um deus de amor desprovido de justiça, e não o verdadeiro Deus da Bíblia, que é amor, mas também justiça.
A verdade é que todos pecamos, independente de nossa idade, nossas convicções, nosso nível de conhecimento ou compreensão ou o tempo de conversão, mas admitir publicamente o quanto somos imundos para aqueles que nos olham como se fôssemos santos exige caráter e coragem, porque a audiência é exigente e a decepção pode significar uma troca de ministério, culminando na perda de membros e na queda de arrecadação de dízimos e ofertas, sem as quais fica impossível sustentar uma estrutura milionária, com templos enormes, pastores e obreiros assalariados, horários em canais de TV e rádios, etc. Sem mencionar o padrão de vida nababesco de alguns pastores.
Sim. É isso mesmo. A fé virou um negócio muito lucrativo , um sistema complexo com muitas engrenagens que precisam ser lubrificadas para permanecer rodando, e o lubrificante é o dinheiro, que é tirado mais facilmente de clientes satisfeitos.
Porém, para permanecer no complexo negócio da fé, alguns sacrifícios são necessários, então começa-se pelo que menos agrada ou que mais incomoda a plateia ávida por entretenimento, o emocionante espetáculo mais conhecido no meio evangélico como "sinais e maravilhas". Sacrifica-se, então, a verdade, afinal, ninguém gosta muito dela, mesmo.
Mas é aí que o sistema se depara com um problema: sem verdade a pregação é vazia, não convence, não prende sequer a atenção da plateia, quanto mais a própria plateia e, sem plateia, sem dízimos e ofertas, e sem dízimos e ofertas ... Entendeu, né?
Para contornar esse obstáculo, então, sem agredir a sensibilidade a plateia, utilizam-se de meias verdades, pregando coisas que agradam, que não têm aparência de mentira e que, mesmo não sendo verdade, têm um certo verniz que lhes concede algum aspecto de autenticidade.
São cegos guiando outros cegos.
Quando, entretanto, alguém tem uma pregação dura, focada no confronto ao pecado e na salvação da alma, ao invés de glorificar a Deus por ter quem deseje a salvação da igreja, alguns membros, às vezes até pastores, ficam de tocaia, esperando pegar o pregador em pecado, para envergonhá-lo publicamente, expondo  sua hipocrisia, desmerecendo, assim, não só sua pessoa, mas também sua pregação, como se isso anulasse a verdade pregada e justificasse seu próprio pecado.
Em algum momento, certamente esse pregador poderá tropeçar, não porque seja um mau caráter, mas porque é homem, porque é carne, porque, como todos e cada um de nós, anda entre o dever e o desejo, e às vezes, cedemos aos desejos, mesmo não querendo.
Mas este é um caso cada vez mais raro 
Antigamente éramos ensinados a orar para nos santificarmos, para nos consagrarmos a Deus, mas hoje ensina-se a "decretar", "profetizar " todo tipo de bênçãos e milagres, como se Deus tivesse a obrigação de atender nossas orações com base em trechos mal interpretados ou propositalmente distorcidos das Escrituras.
Então, por que pregar sobre hipocrisia?
Como pregar sobre hipocrisia sem se incriminar, sem evidenciar o obreiro fraudulento que é?
Como ensinar algo que não se aprendeu?
Como falar a verdade dura, nua e crua num ambiente mergulhado em mentiras agradáveis?
Como falar o que as pessoas precisam ouvir quando elas já se acostumaram a ouvir o que lhes agrada?
No final, tem muita gente indo à igreja para se sentir bem, para aliviar a consciência, para participar do "ré-té-té", mas o compromisso com a Palavra é um bicho em extinção.
A verdade pode ser desagradável. Geralmente é. Mas só porque você se vê obrigado a confrontar seu pecado. Mas lembre-se do que disse Jesus:
João 14

6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

ALVO MAIS QUE A NEVE, A HIPERGRAÇA E OS "HOMENS DE DEUS"

Esta semana, em diversos canais do Youtube, influencers, pastores e teólogos discutiram as afirmações de Kleber Lucas sobre a letra do hino "Alvo Mais Que a Neve" ser racista.
Isso gerou piadas e colocou outros hinos na mira, como "O Nosso General é Cristo", fosse como piada ou tratado com ares de seriedade.
As pessoas se descabelaram com as atitudes de um homem que já vem, há muito tempo, mostrando que se afastou da verdade do evangelho, se é que alguma vez andou por esse caminho. Sei que afirmar isto pode parecer chover no molhado, mas o fato de uma pessoa passar anos, às vezes décadas, dentro de uma igreja, não significa que ela faça parte do rebanho de Cristo. Inclusive pastores. Principalmente pastores.
Eu tenho que confessar que sempre tive um pé atrás com "artistas gospel". Por quê?
Porque o púlpito não é palco, mas pode facilmente ser confundido com um.
Porque o homem busca atenção e aceitação e pode, lentamente, roubar o louvor, que pertence a Deus, para si próprio.
Porque o culto é um momento para cultuar, louvar a Deus. Não é um show. Não é para você se sentir bem. É para seu crescimento espiritual.
Isso pode não se aplicar a todos os tais artistas, mbas a Igreja não é casa de show, então tais  e artistas não deveriam se apresentar nas igrejas. Há locais apropriados para isso, você frequqntemente pracisa ser confrontado, ter seu pecado jogado na cara.
Geralmente se usa o pretexto de aproveitar a fama do cantor pra atrair um grande número de pessoas com fins evangelísticos, mas na maioria dos casos a intenção é mais mundana, mesmo. Dinheiro ou status. 
Outro tipo de "artista" ou "celebridade" são os pastores pregadores da hipergraça, que ensina que Deus é todo amor e nenhuma justiça. Ensinamentos onde o homem é o centro do coração de Deus e que, para te-lo junto a Si, Deus estaria disposto a fazer vistas grossas a seus pecados, garantindo, assim, a salvação, não só de quem aceita Jesus como Senhor e Salvador - o que significa abdicar dos desejos da carne, carregar sua cruz, obedecer a Cristo, o que significa sacrificar seus desejos - mas de qualquer um que, vivendo do modo que lhe aprazer, bastaria confessar a Jesus para garantir uma vida de bem estar e a salvação eterna. Fácil assim. Esta é uma mentira e, como toda mentira, perigosa.
Mas o que ninguém comenta é o algo que é verdadeiramente importante, e a maioria das pessoas sequer percebe isso.
Tudo isso teria lá sua relevância se fosse abordado pelo ângulo correto, mas da maneira como é tratado o assunto, não passa de mera fofoca para gerar views e engajamento, que desagua justamente em, adivinha: dinheiro e status. Mas vamos ao que viemos.
No livro de Mateus está escrito:

Mateus 9

37 Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros.
38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara.

Há inúmeros falsos profetas, falsos pastores e uma quantidade assombrosa de todo tipo de picaretas que se aproveitam da ingenuidade e da preguiça de pessoas cheias de fé e vazias de conteúdo, que não gostam de ler a Bíblia, pessoas imprudentes que depositam sua fé incondicionalmente em qualquer um que se apresente como um ministro de Deus, sem, contudo, buscar saber da índole do indivíduo, de suas origens, de onde veio, por onde passou, porque saiu, quais suas influências e as obras que realizou ou de que fez parte.
Embora, em muitos casos, como mecanismo de defesa, pastores se invoquem o "não toqueis nos meus ungidos", termo que não se encontra na bíblia, mas é baseada nas passagens em que Davi se recusa matar o rei Saul - um tei ungido çor Deus - que buscava tirar sua vida injustamente.
Este é um recurso muito utilizado por pessoas que não querem ser contestadas, contrariando o ensinamento de Atos 17:10, 11:
Atos 17

10 E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
11 Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

 Boa parte dos pastores tidos como sérios, em especial nas igrejas pentecostais, não somente desobedecem o mandamento de Mateus 9:37, 38, como ainda impedem os obreiros de suas igrejas de trabalharem na obra, dando a estes alguma oportunidade para "trazer uma palavra" ou "dar uma saudação" de dez, quinze minutos, para dar tempo de dar oportunidade para outro obreiro fazer uso dos próximos dez, quinze minutos e assim por diante, só para dizer que os obreiros da igreja têm oportunidade de trabalhar na obra.
As pequenas igrejas pentecostais têm a liberdade de percorrerem lares, praças, ruas, sem a burocracia das igrejas de renome, mas seus líderes, geralmente homens que ostentam o título,  sem ter, no entanto, o chamado de pastor e, em muitos casos, nenhum preparo para assumir um posto de tamanha importância, aprisionam seus membros pelo medo, pela ameaça, usando ensinamentos como cobertura espiritual, conertura pastoral e negando a sua benção caso o membro queira sair de sua congregação, o que, indiscutivelmente, é errado. Sua preocupação é voltada tando para o controle que deixará de exercer sobre o ex-membro quanto a queda na arrecadação dos dízimos e ofertas, e não com a salvação da alma do referido membro, que deve ser o alvo dos verdadeiros pregadores do evangelho.
Estes auto intitulados homens de Deus, que abusam da autoridade que aconpanha o título que usam, seja pastor, bispo, apóstolo ou a última aberração da moda, fazem da igreja, que é o rebanho de Cristo, o seu gado particular.
A igreja é seu castelo. Sua família geralmente é a "família real", cujos membros são os únicos que sobem na hierarquia da instituição e têm reais oportunidades, enquanto seus obreiros são as gárgulas - aquelas estátuas que ficam sobre os muros dos castelos - que não fazem muito mais que adornar o fundo do salão, sentados em cadeiras luxuosas, usados apenas quando nenhuma das "autoridades" da "família real" estiver disponível.
O número de igrejas pregando o evangelho de Cristo poderia ser muito maior do que é atualmente, se ao líderes se deixassem ser liderados pelo Espírito Santo ao invés de usarem técnicas para atrair pessoas, como se Deus fosse incapaz de realizar tamanha proeza e precisasse de uma ajudinha de seu ingido. Faz algum sentido?
Uma coisa é verdede e não pode ser contestada, a responsabilidade de espalhar o evangelho é de todos e de cada um, pois o "Ide" é para todos, mas i que não pode ser ignorado é que nem todos têm o chamado evangelístico, nem todos são pastores, nem todos são líderes, e uma das funções de um bom líder é justamente formar novos líderes, mas muitos homens com chamado de evangelista, por uma questão de status, estão usurpando a cadeira de pastor, não cumprindo sua missão e, pior, impedindo outros de cumprirem as suas.
"A quem enviarei eu?"
Tais auto proclamados homens de Deus estão calando aqueles que anseiam responder: "envia-me a mim"
Este comportamento não é discutido. Na verdade, sequer é mencionado, seja por membros das igrejas, por suas lideranças ou por teólogos de internet, o que levanta uma questão:
Por quê?