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sexta-feira, 5 de julho de 2024

SESSENTA ANOS DE ESTRADA (a igreja e amalandragem)

Escrevo este texto em julho de 2024 , e a situação econômica se deteriora por causa de escolhas políticas. A questão é : escolha de quem?
Alguns acreditam que a eleição fora manipulada, enquanto há quem defenda que o atual presidente fora eleito legitimamente.
Ambas as hipóteses são preocupantes. 
No caso da primeira, estaríamos sendo enganados e manipulados por poderes ocultos.
Já no caso da segunda hipótese, apenas revelaria que a maioria da população seria composta por um misto de pessoas muito facilmente manipuláveis, de pessoas desonestas e de criminosos, já que o atual mandatário foi condenado por crimes de corrupção. 
Hoje eu estava no ônibus, a caminho do trabalho, quando ouvi um homem dizendo que "tinha sessenta anos de estrada", com um riso maroto, seguro de que era malandro e sabia das coisas.
Isso me fez lembrar de um short que assisti, onde um sujeito afirmava que o Brasil é um país de 265 milhões de pessoas tentando passar a perna em 265 milhões de pessoas. 
Em outro, dizia-se que o Brasil é primeiro lugar em tentativa de golpes. 
Em suma, é uma nação corrupta com uma arraigada cultura de corrupção. O famoso "jeitinho brasileiro".
E isso se reflete na escolha daqueles que nos governam, seja na política, seja na igreja.
Vivemos tempos conturbados, onde os valores estão invertidos, onde errado está quem faz o certo e certo está quem faz o errado. 
(Isaías 5

20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!

https://bibliaccb.com.br/livro/is/5?v=20
https://bibliaportugues.com/isaiah/5-20.htm) 
Estamos tão imersos na corrupção, em todo tipo de perversão e devassidão, que vemos o mundanismo adentrar as igrejas e nos calamos, achando que sairemos por inocentes por apenas torcermos o nariz e revirarmos os olhos ao criticar as atitudes erradas de algum irmão e a negligência da liderança.
A verdade é que, por depender dos dízimos e ofertas dos membros, muitos pastores optam por não tocar em assuntos "delicados", como arrependimento dos pecados, santidade, mudança de vida, o que significa cobrar mudança nas atitudes, no caráter, na forma de se portar, de falar e de se vestir.
Nas últimas três décadas assistimos a escalada da teologia da prosperidade e depois da pregação coach, que afirmam ensinar que devemos ser prósperos, saudáveis e felizes, mas que na verdade introduz heresias e erros doutrinádios no seio da Igreja, ensinando o cfente a ser vingativo, invejoso, supersticioso, ganancioso e egoísta. 
Nestas três décadas, a igreja foi bombardeada com coisas como maldição hereditária, crente não poder ficar doente e que, caso fique, é porque ou está em pecado ou porque lhe falta fé, que também seria pecado.
Ensinam-se nos púlpitos ao crente fazer ofertas, ou votos, que geralmente é dar dinheiro com a intenção de receber um bênção, prática similar às promessas católicas, onde se oferece algum sacrifício para receber uma graça, como eles chamam.
Ou seja, tem havido um esforço por meio de vários líderes que se dizem cristão de estimular para depois se aproveitar da ignorância, das superstições e da ganância das pessoas.
O povo brasileiro é culturalmente supersticioso, ou seja acredita em coisas como dar três batidas na madeira pra quebrar palavras agourentas, acreditam em simpatias e até em horóscopo, e se encontra muito disso na igreja, com roupagem diferente, como achar que por apenas dizer "tá amarrado" algum espírito maligno seria impedido de fazer algo.
Mas isso só continua assim porque não há quem ensine nas igrejas, seja porque pouquíssimos membros se interessam em ir a um culto de estudos, seja porque há poucas pessoas habilitadas a ensinar, ou apenas porque o povo não se interessa em aprender. Ou porque a verdade incomoda. 
Assim, ensina-se mentiras por amor ao dinheiro e aprende-se mentiras pelo desejo de ter dinheiro. A salvação é de pouca importância. 
Além disso, tudo de mal que acontece é causado por espíritos malignos e tudo de bom é obra exclusiva de Deus, pois somos meras marionetes lançadas de um lado para outro pelas cordas que guiam nossas escolhas, retirando dos ombros da igreja toda a responsabilidade, pois somos apenas vítimas indefesas, incapazes de escolher entre o bem e o mal.
Mas a verdade é que todos somos responsáveis pelas próprias escolhas, ainda que escolhamos deixar que outros as façam por nós. 
Devemos buscar aprender as escrituras. É o nosso manual de conduta e base da nossa fé, e o único meio de não sermos enganados. 
Devemos compreender que os pastores não são donos das igrejas. O rebanho pertence a Cristo, não aos pastores. 
A eles foi dada autoridade espiritual e a responsabilidade de cuidar e ensinar, não de mandar e maltratar. 
O povo precisa aprender a se sujeitar à autoridade pastoral sem, no entando, se submeter aos caprichos de algum líder abusivo. 
Mas o povo também precisa aprender que malandragem é doisa do mundo e, sendo do mundo, não deve entrar na igreja, e que quem escolher ser malandro, sofrerá as consequências, pois o salário do pecado é a morte (Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor. ).