quinta-feira, 6 de abril de 2023

JULGAR - POR QUE FAZEMOS ISSO ERRADO?

O pecado é parte de nossa essência. Está arraigado nas profundezas de nosso ser e não há o que possamos fazer para nos livrarmos dele. Este é um câncer contra o qual teremos de lutar por toda a nossa vida.
É um erro. Um erro de Adão que herdamos e que carregamos, diluído, misturado em nossas almas, e que nos leva a cometer outros erros. Erros que nos levam a mais erros.
Erros de pensamento. Erros de decisão. Erros de julgamento.
Julgamentos são ferramentas para facilitar nossas tomadas de decisão, nossas escolhas, mas quando um cristão ouve a palavra "julgamento", logo pensa: "mas está escrito: 'não julgueis'". Sim. Está escrito. Mas significa que não está em suas mãos o poder de condenar alguém ao inferno, pois você não apenas não foi levantado como juiz, como não é capaz de julgar com justiça.
Quanto ao resto, é necessário que façamos julgamentos constantemente.
Por exemplo: quando está na feira, escolhendo legumes, você está fazendo um julgamento, pois vai escolher o que julga ser mais proveitoso, qual será a melhor escolha.
Quando conhecemos uma pessoa, é comum, mas também necessário, julgarmos seu caráter, sua índole, pois a convivência com ela afetará nossas vidas.
Num programa de talentos, os jurados julgam o que lhes parece ser o melhor candidato. A mais bela. Quem canta ou dança melhor. Quem cozinheira ou confeita melhor, etc...
Nós julgamos o tempo todo.
E, quando se trata de pessoas, frequentemente, julgamos mal.
Quantas vezes você se decepcionou com alguém? Quantas pessoas se mostraram ser diferentes do que você acreditava, depois de conjecê-las melhor? Quantas pessoas você acreditou serem suas amigas, mas que o tempo revelou que a realidade era outra?
Entende? Nós julgamos mal.
Mas por que erramos tanto? Por que, apesar de ser algo tão importante para nossa segurança, para nosso futuro, para nossas vidas, sempre erramos ao julgar pessoas?
Entre tantos motivos  o mais óbvio e o mais negligenciado, é porque não observamos as pessoas para conjecê-las melhor. Pelo contrário, nós nos deixamos levar pela primeira impressão, dando o benefício da dúvida, o que, em alguns casos, pode ser fatal.
Você já ouviu falar no maníaco do parque? Ou em Jeffrey Dammer? Estes foram dois psicopatas assassinos que, com sua boa aparência e lábia, seduziram diversas pessoas, as torturaram e depois as mataram.
E por que este tipo de pessoa consegue cometer seus crimes por tanto tempo, sem serem pegos?
Veja que há duas questões, aqui: como eles conseguem, e por que não são identificados e capturados com rapidez? E a resposta para ambas pode ser a mesma. Porque julgamos superficialmente, baseados na primeira impressão, que pode e frequentemente é equivocada.
Outra coisa que afeta nosso julgamento é o erro de acreditar que os outros teriam as mesmas atitudes que as nossas, que pensariam como nós, e que agiriam e reagiriam da mesma forma que nós, sob as mesmas circunstâncias. A  maioria de nós acredita tanto na bondade, ou pelo menos, no bom senso, quanto duvida da maldade dos outros, baseando as capacidades alheias de fazer, seja o bem, seja o mal, nas nossas próprias capacidades, crenças e conceitos.
E por essa falha em acreditar num possível bem e duvidar da maldade inerente ao ser humano, monstros caminham entre nós, desfrutando da impunidade proporcionada pela ingenuidade da sociedade que, apesar de viver num mundo maligno, duvida da maldade alheia, principalmente se o perpetrador do mal for bonito, simpático ou meramente agradável.
E quando se trata da igreja, o problema se intensifica.
Nós cometemos o erro de confiar numa pessoa só porque ela carrega uma Bíblia e nos saúda com a "paz do Senhor".
Jesus alertou a seus discípulos, dizendo que haveriam falsos pastores, assim como joio entre o trigo, ou seja, falsos crentes entre os verdadeiros e, mesmo assim, muitos membros se deixam envolver e serem enganados por pessoas, sejam líderes ou membros, ambos fraudulentos, ou seja, pessoas de má índole que andam livremente entre os verdadeiros crentes.
A boa vontade em servir, associada ao medo de julgar, mais o desejo de crer que, porque a pessoa professa o nome de Jesus, teve o caráter transformado e é incondicionalmente boa, cria o ambiente ideal para ataques dos falsos crentes, o que pode gerar decepção, geralmente direcionada à Igreja, e não à pessoa que a causou e, em alguns casos, pessoas equivocadamente até se afastam do caminho da salvação.
Um dos piores inimigos do homem, depois dele mesmo, é a ignorância.
Há um ditado que afirma que a ignorância é uma benção. Em raros casos isso é verdade, porém a Bíblia afirma, em duas passagens, que a ignorância é um erro:
 - O meu povo foi destruído porque lhe faltou conhecimento... - Oséias 4:6.
 - Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus... - Mateus 22:29.
Em Oséias, o profeta fala aos sacerdotes, que não ensinavam ao povo o que deviam ensinar a respeito de Deus. Em Mateus, Jesus falava a homens que deveriam ser instruídos nos ensinamentos de Moisés, mas se desviaram da verdade.
Em ambos os casos, o povo era enganado, fosse por negligência, fosse por má intenção de seus líderes religiosos.
E isso ainda acontece nos dias atuais.
Mas hoje, embora a internet nos ofereça um volume de informação impossível de ser assimilada numa vida, devemos filtrar - leia-se "julgar" - tudo o que vemos, lemos  assistimos ou oivimos, porque há muitos falsos pastores e falsos mestres usando as redes sociais como palanque, como seus palcos pessoais, ensinando coisas que não convém, fazendo falsas profecias e faslsas promessas, distorcendo a verdade do evangelho, alegando estar fazendo a obra, quando  na verdade, seu objetivo é conquistar fama e riquezas às custas da crença e da devoção de pessoas que não conhecem profundamente as Escrituras.

 Em Atos 17:10, 11 está escrito:

10 E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
11 Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

Em Jeremias 17:5 está escrito:
"Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!"

Esta passagem se refere ao povo rebelde, que se afastou do Senhor, voltando-sr para outros deuses, e que confiou na própria força. Mas também pode ser interpretada de forma individual, ou seja, tanto vale para não por a confiança, dependendo da ajuda dos outros quanto para não confiar nas próprias capacidades, na própria força, mas depositar toda sua confiança e dependência unicamente em Deus.
Mas não é o que fazemos. Confiamos em qualquer um que suba num púlpito, pois basta alguns versículos bíblicos para elevá-lo automaticamente à categoria de "homem de Deus", já que ele supostamente é um vaso do Senhor.
Porém, Jesus nos alertou que muitos diriam vir em seu nome, mas que seriam lobos devoradores.
Isso, somado ao fato de que um grande número de pessoas dentro das igrejas quer ver espetáculos, como curas milagrosas, entrevistas com demônios e coisa e tal, cria um ambiente propício à contaminação e ao crescimento de indivíduos mal intencionados.
Não bastasse isso, muitos membros, por medo de ficarem marcados como "crentes mornos" ou serem colocados de canto, se calam, quando deviam, na verdade, se oporem à desordem que tomou conta das igrejas, sobretudo as pentecostais, onde se perdeu a compreensão do verdadeiro significado de liberdade, já que, em nome desta, vem-se permitindo diversos ensinamentos não bínlicos em igrejas de renome, e que vem sendo copiados por muitas igrejas menores, sem estudar, sem julgar se tais ensinamentos estão de acordo com as Escrituras.
Mas não é apenas receio do que dirão que impede os membros de se manifestarem. A maioria não tem um conhecimento profundo das Escrituras, o que possibilita:
- A introduçãoo de erros e heresias;
- A incapacidade de julgar a autenticidade do que está sendo ensinado ou pregado;
- O constrangimento  de questionarem seus pastores, temendo desrespeitarem sua autoridade.
Porém, o que a maioria não sabe, é que essa autoridade não deve ser respeitada sem questionamentos. Lembre-se de Atos 17:10,11.
Em resumo, devemos julgar o que nos é ensinado, a doutrina que nos é imposta e a pregação que nos é apresentada e  para que possamos fazer isso  é preciso conhecimento bíblico, mas ter so menos um mínimo, embora não seja o ideal  já é um começo.
Mas isso exige esforço. Porém, é necessário, caso você queira ter alguma condição de argumentar, de se defender.
Da mesma forma devemos proceder com as pessoas.
Pada confiar numa pessoa, é preciso conhecer bem seu caráter, e isso demanda convivência, o que exige tempo. Tempo para conhecer os hábitos e atitudes da pessoa.
Não devemos desconfiar de todo mundo, mas também não devemos confiar cegamente em todo mundo.
Não debemos ser inconsequentes.
Todo relacionamento começa pequeno. Vamos dando pequenos votos de confiança e, conforme a pessoa vai se mostrando confiável, vamos ampliando o crédito.
Isso irá nos livrar de futuras decepções?
Lógico que não.
A vida é repleta de decepções, e as pessoas que nos decepcionam são aquelas em quem confiamos, em quem depositamos espectativas.
Mas podemos reduzir o número de decepções se formos mais prudentes. E as decepções mais perigosas são aquelas que nos afastam de Deus.
Muitas pessoas erram ao se decepcionar com pessoas e culparem a Deus por terem confiado demais em quem não merecia confiança alguma, e não sssumem a responsabilidade de ter desobedecido a Deus  confiando em  outro.
Não se afaste de Deus por causa de pessoas.
Pessoas são interesseiras.
Deus te ama.
Mas procure lembrar que, embora Deus te ame, ele também é justo. Nós estamos vivendo sob a graça de Deus, mas um dia estaremos diante da sua Justiça.
Escolha com sabedoria em quem você vai depositar sua confiança. Nem todos são dignos de crédito, da mesma forma que nem todos são mal intencionados.
Observe antes de confiar.
E observe antes de desconfiar.
Junte evidências antes de julgar.
Procure ser justo.
Julgue com sabedoria.

"E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada."

Tiago 1:5

E, acima de tudo, que Deus seja o seu guia.
Deus te abençoe.

sábado, 4 de março de 2023

ACERCA DO CHAMADO PASTORAL - Algums tipos de falsos pastores.

 

Este é um assunto delicado e, por isso, complicado de se abordar, por isso me tomou algum tempo e exigiu uma apreciação mais cuidadosa, já que vou mexer num vespeiro. 

Este artigo é voltado para o público pentecostal, já que participo desta linha teológica há mais de duas décadas e não tenho contato direto com igrejas reformadas, mas pode servir para qualquer pessoa em qualquer denominação, de qualquer linha teológica, pois se trata da atitude de homens, e homens são falhos.

O intuito não é desacreditar pessoas honradas ou igrejas sérias, e sim alertar os desavisados, orientar quem está confuso e libertar pessoas que, ou carregam jugos pesadíssimos, ou levam uma vida leviana devido à orientação errônea de falsos pastores e pregadores. Isso inclui homens e mulheres que dizem anunciar o evangelho. Além disso, embora pareça presunçoso, afirmo que não é, eu espero que este artigo também possa ajudar, tanto na decisão de quem deseja liderar um povo como quem já está diante deste desafio.

Então, sem mais delongas, vamos ao que viemos.

Muita gente se encanta com o título de pastor, sonha em ser um obreiro, subir os degraus da hierarquia da igreja até alcançar a liderança; ter a autoridade e o respeito devidos a uma autoridade eclesiástica.

Embora haja alguns equívocos nas frases acima, quando a motivação é sincera, justa, com o desejo de contribuir para o crescimento da Igreja, a pregação do evangelho e a salvação de almas, é um desejo louvável, mas deve-se saber que é preciso ter determinação, força e estar preparado para sofrer pela obra, pois nem tudo são flores. Os desafios são grandes e a responsabilidade, gigantesca. A luta é dura, ao ponto de ser difícil saber com quem é mais fácil de lidar: com os demônios, que se sujeitam à autoridade do nome de Jesus, ou com os membros, pois há alguns que não se sujeitam nem a Deus.

Todo o glamour visto nos cultos transmitidos pela internet não passam de mera ilusão e, embora muitas pessoas sejam atraídas por essa ilusão, interessadas em usufruir do status que o título de pastor confere, esperando se tornarem celebridades, ter reconhecimento e admiração pública e até enriquecer às custas dos fiéis, esse pode ser o primeiro passo rumo à danação eterna, não só para o falso pastor, mas também para aqueles que insistirem em seguir seus passos tortuosos.

Muitas são as obrigações de um pastor, porém essas obrigações foram sendo contaminadas com desvios doutrinários que eles, sem qualquer critério bíblico, introduziram nas igrejas, ao longo do tempo, causando muita confusão e trazendo muito prejuízo para a pregação do evangelho e para a própria Igreja.

Para piorar, no Brasil há dois entendimentos errados sobre os chamados para a obra, que desaguam nos problemas tratados aqui. 

Um é o entendimento de que os chamados são como cargos a que um obreiro vai sendo promovido, o que pode variar de uma denominação para outra, passando pelo "cargo" de cooperador, depois diácono, evangelista, presbítero, até finalmente chegar a pastor.

O outro é de que uma igreja só pode ser liderada por um pastor. Ambos os casos não correspondem à verdade, e os problemas se amontoam e se agravam com a omissão daqueles que deveriam ensinar o povo. E, ironicamente, muitos dos que ocupam os púlpitos e as salas de escolas dominicais ou cultos de doutrina, sequer têm preparo para compreender  o que se propõe a ensinar, contribuindo para o aumento de equívocos e desvios doutrinários e, em alguns casos, para a entrada de heresias na igreja.

É comum vermos evangelistas, que davam muitos frutos, abandonando seus chamados para assumir o manto de pastor, onde tropeçam e erram por estarem usurpando um chamado e um título que não lhes pertencem, o que, muitas vezes, os distancia de Deus e, consequentemente, da verdade do evangelho, afinal, não estão em desobediência ao trocarem seus chamados por outro sem que Deus o tenha feito? Veja que há muitos pastores que enfrentam enormes dificuldades para administrar suas igrejas, mas quando saem para evangelizar, ganham muitas almas para o Senhor. O chamado de Deus o leva a gerar fruto.

É verdade que pastores sérios, que pregam a verdade das Escrituras, podem se desviar e se corromper de forma a não haver mais salvação, mas quanto a homens que assumem o pastorado sem que tenham recebido o chamado, na maioria das vezes não se trata de pessoas que não compreenderam a natureza de seus chamados, mas de lobos devoradores, anticristos enganadores que tiram vantagem da ignorância e usam a fé das pessoas para manipula-las e extorquí-las.

Podemos reconhecer alguns tipos de falsos pastores apenas observando seus comportamentos, pois, como disse Jesus, "pelos frutos os conhecereis" (15Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores. 16Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? 17Assim sendo, toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore ruim dá frutos ruins. 18A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim produzir bons frutos. 19Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e atirada ao fogo. 20Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.). Em resumo, todos buscam a mesma coisa: poder! Mas há diferentes formas de poder, e diferentes formas de alcançá-lo, mas todos se sustentam na mesma base, no mesmo engano, no mesmo pecado, e usam do mesmo argumento para se justificarem.

Falaremos disso mais adiante. Vejamos, agora, alguns exemplos de comportamentos ou de tipos de pastores ou pregadores que devem acender um sinal de alerta.

AS CELEBRIDADES

São pessoas que desejam glória pessoal e agem como celebridades, muitas vezes, mas não necessariamente, se vestindo e se comportando de modo inadequado. Geralmente dão declarações espalhafatosas, "revelações" e "profecias" mirabolantes; costumam usar as redes sociais como veículos de divulgação, buscando sempre aumentar o número de seguidores apenas para  inflar seu número de fãs e seu ego; frequentemente postam vídeos curtos, falando muito sem dizer nada e fazendo promessas que servem para todos e para ninguém, sempre dizendo algo to tipo: "Você que abriu este vídeo agora, Deus tem algo pra te dizer".

Invariavelmente simpáticos e afáveis, até serem confrontados, "profetizam" "palavras poderosas que vão mudar sua vida". Costumam alimentar o próprio ego com a bajulação de seguidores, compostos por admiradores nas redes sociais e membros de suas igrejas que idolatram a sua figura, aumentando seu alcance e influência.

Enchem as pessoas de esperança falando em nome de Deus, quando, na verdade, usam Seu Santo nome em vão com promessas mentirosas.

OS DÉSPOTAS

São os controladores.

Costumam exigir obediência cega, não admitem serem questionados e, quando o são, se defendem lançando na cara de seu acusador algum erro passado, chantageando-o com algum pecado que o envergonha, mesmo que já tenha se arrependido e alcançado o perdão de Deus.

Dificilmente dividem o púlpito e, quando o fazem, na maioria das vezes são seus familiares que têm oportunidade de pregar,  dando oportunidades esporádicas para o corpo de obreiros ou algum convidado de outras igrejas, para "fazer uma média".

Sua igreja é seu castelo, seu corpo de obreiro são as gárgulas (aquelas estátuas medonhas que ficam sobre os muros dos castelos para intimidar os inimigos e proteger o reino), seus parentes são a família real, e os membros, seus súditos. Sempre querem que as coisas sejam feitas, não segundo às Escrituras, mas conforme à sua vontade. É comum que suas igrejas tenham regras próprias, visando seus caprichos e não o bem estar dos membros. Sua visão deve ser respeitada e nunca confrontada.

Sua pregação geralmente carece de profundidade e, embora  possa ter certo peso e vir revestida de uma capa de santidade, costuma ser antropocêntrica, ou seja, voltada para o homem, seus medos e desejos, promessas de bênçãos e vitórias, seus direitos de "filhos", etc.

A maioria se contenta com o título de pastor, podendo chegar a bispo, mas há os mais ambiciosos que se intitulam apóstolos. E, sim, pode piorar. Existem aqueles que, embora não ousem se intitularem, agem como se fossem uma espécie de vice deus. Há rumores de alguém que foi "promovido" a arcanjo. E não, isso não é piada, por mais ridículo que possa parecer.

OS ARTISTAS

Estes fazem do púlpito o seu palco, seu picadeiro.

Gostam de cantar, pregar, dar testemunhos exagerados e impressionantes, fazer malabarismos, piruetas, entrevistar o capeta, curar doenças invisíveis em público, fazer piadas ou meramente parecerem engraçados. Se valem de todo tipo de pirotecnia para atrair a atenção e arrancar expressões de espanto ou ao menos admiração da plateia. Algumas risadas podem indicar que estão no caminho certo, que estão agradando. Não importa como, o que importa é alegrar a plateia

Como os pastores celebridade, utilizam as redes sociais para divulgação, mas seu foco está nos púlpitos.

Usando uma analogia, poderíamos dizer que os pastores celebridade são atores de TV, enquanto os pastores artistas seriam atores de teatro.

O COACH

Essa nova modalidade, uma evolução da famigerada teologia da prosperidade,  que prega posteridade financeira e saúde, onde o único obstáculo para a concretização dos ensinamentos e das "profetadas" é a falta de fé do fiel, a teologia coaching prega a "hiper graça", alegando, de forma pouco clara, que Deus é amor, e que de tão grande este amor, Ele deixa de aplicar Sua Justiça. Se confrontar qualquer dos pregadores da "hiper graça" eles negarão isto, mas se acompanhar suas pregações, é exatamente o que encontrarão.

A" teologia coach", como ficou conhecida, é assim chamada por causa das palestras - não dá para chamar de culto - voltadas para o bem estar, a prosperidade, os sucessos profissional e pessoal, e num amor divino que não está na bíblia, enquanto se recusam a pregar a confissão e o arrependimento dos pecados, a rendição a Jesus como seu único Senhor e único e suficiente Salvador, deixando o povo anestesiado, parafraseando uma frase de um pastor famoso, caminhando sorridentes em direção ao inferno, ignorando a Justiça e o Juízo de Deus.

Estão sempre sorridentes, alegres, muito confortáveis e à vontade, cheios de confiança e muita paz, como se estivessem sob o efeito de alguma droga recreativa. Ninguém, por mais fé que tenha ou por mais intimidade que possa ter com Deus está sempre alegre. Isso contraria a própria natureza humana. É claro que podem alegar que precisam ser exemplo para a igreja, não demonstrando suas fraquezas e focando na fé, ou algo assim, mas a vida real é dura, e meias verdades não a tornarão mais fáceis.

Há muitos outros tipos de pastores, mas os mais famosos se enquadram na categoria "picareta". Geralmente encontrados em mega igrejas e canais de TV aberta. Não vou citar nomes. Eles são facilmente reconhecidos pela enorme variedade de bugigangas "ungidas" vendidas a preços exorbitantes em seus cultos transmitidos pela TV, anunciadas como "ofertas de fé" ou algo parecido.

O problema é que muita gente segue esses farsantes,  seja por conhecer apenas superficialmente as Escrituras, o que as torna presa fácil de golpistas; seja por querer as coisas da maneira mais fácil, crendo poder comprar os favores de Deus com votos e ofertas; seja por querer testemunhar o sobrenatural, presenciando sinais e maravilhas, ou seja outro motivo qualquer.

A verdade é que a seara é grande, mas poucos são os ceifeiros, e se já não bastasse que muitos recusam-se a obedecer aos seus chamados, em muitos casos, há pastores que barram o crescimento de seus obreiros, dificultando o crescimento da obra, enquanto os filhos de Satanás invadem os púlpitos das igrejas, arrastando multidões para a perdição, com promessas mentirosas e heresias.

A verdadeira mensagem do evangelho é "arrependei-vos porque é chegado o Reino dos céus" (Mateus 4:17). É certo que o povo, às vezes, precisa que haja mensagens de conforto e de consolo, mas se a confissão dos pecados, o arrependimento e a confissão pública de Jesus como seu único Senhor e Salvador não for a principal mensagem da sua igreja, cuidado! Sua salvação eterna pode estar em risco.

O politicamente correto é responsável por uma geração mimada que não tem estrutura para ouvir a verdade e, atualmente, falar a verdade é ofensivo. Poucos aceitam serem repreendidos e corrigidos, mas veja o que nos ensina a Bíblia:

Provérbios 3

11 Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão.
12 Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.

Para ser um bom pastor, muito é necessário, mas se, depois de observar as orientações bíblicas, seguir estes  quatro passos, já é um bom começo:

1 - Ser exemplo;

2 - Transmitir os ensinamentos que Jesus e os apóstolos deixaram;

3 - Aconselhar;

4 - Repreender e corrigir, a princípio com amor, mas com severidade quando a ovelha for rebelde - falar a verdade nua e crua, rasgar o verbo. 

Um pastor verdadeiro vai ser um exemplo a ser seguido. Sua família deverá ser um modelo, embora deve-se ter em conta que, muitas vezes, por mais pio que uma pessoa possa ser, às vezes seus filhos escolhem caminhos tortuosos.

Ele deve ensinar baseando-se nas Escrituras, mostrar e provar que seu ensinamento é bíblico, exortando a igreja firme, mas amorosamente, quando necessário.

A verdadeira pregação bíblica deve nos encher do temor de Deus, nos confrontar com nossos pecados, nos ensinar a caminhar nas passadas de Cristo, fortalecer nosso caráter e nosso espírito.

Hoje há igrejas para todos os gostos e preferências, ou , ao gosto do freguês. A vida é sua e você deve escolher como vivê-la, mas não pode escolher as consequências, então escolha conscientemente a igreja onde vai servir, pois você pode estar servindo a Deus ou a deuses estranhos, mesmo que a denominação use o nome de Jesus.

Se tudo o que pregam numa igreja são bênçãos financeiras, palavras de amor sem consequências ou palavras positivas, deixo aqui meu conselho: fuja.

A Palavra precisa ser pregada e a Igreja precisa de homens honrados para pregá-la, mas muitos falsos pastores têm tomado os púlpitos e, para assegurar seus lugares, e eles se protegem de críticas com a frase "não toqueis nos meus ungidos", como de costume, retirando o texto de seu contexto.

Em breve você poderá ler mais sobre isto aqui.

O chamado pastoral é bíblico, mas como muitas outras coisas, vem sendo desrespeitado, e vem sendo usurpado por lobos devoradores. Fique atento.

Cabe a você buscar conhecimento para se proteger desses anticristos.

Espero poder te ajudar nesse processo.

Que Deus te abençoe.