É um erro. Um erro de Adão que herdamos e que carregamos, diluído, misturado em nossas almas, e que nos leva a cometer outros erros. Erros que nos levam a mais erros.
Erros de pensamento. Erros de decisão. Erros de julgamento.
Julgamentos são ferramentas para facilitar nossas tomadas de decisão, nossas escolhas, mas quando um cristão ouve a palavra "julgamento", logo pensa: "mas está escrito: 'não julgueis'". Sim. Está escrito. Mas significa que não está em suas mãos o poder de condenar alguém ao inferno, pois você não apenas não foi levantado como juiz, como não é capaz de julgar com justiça.
Quanto ao resto, é necessário que façamos julgamentos constantemente.
Por exemplo: quando está na feira, escolhendo legumes, você está fazendo um julgamento, pois vai escolher o que julga ser mais proveitoso, qual será a melhor escolha.
Quando conhecemos uma pessoa, é comum, mas também necessário, julgarmos seu caráter, sua índole, pois a convivência com ela afetará nossas vidas.
Num programa de talentos, os jurados julgam o que lhes parece ser o melhor candidato. A mais bela. Quem canta ou dança melhor. Quem cozinheira ou confeita melhor, etc...
Nós julgamos o tempo todo.
E, quando se trata de pessoas, frequentemente, julgamos mal.
Quantas vezes você se decepcionou com alguém? Quantas pessoas se mostraram ser diferentes do que você acreditava, depois de conjecê-las melhor? Quantas pessoas você acreditou serem suas amigas, mas que o tempo revelou que a realidade era outra?
Entende? Nós julgamos mal.
Mas por que erramos tanto? Por que, apesar de ser algo tão importante para nossa segurança, para nosso futuro, para nossas vidas, sempre erramos ao julgar pessoas?
Entre tantos motivos o mais óbvio e o mais negligenciado, é porque não observamos as pessoas para conjecê-las melhor. Pelo contrário, nós nos deixamos levar pela primeira impressão, dando o benefício da dúvida, o que, em alguns casos, pode ser fatal.
Você já ouviu falar no maníaco do parque? Ou em Jeffrey Dammer? Estes foram dois psicopatas assassinos que, com sua boa aparência e lábia, seduziram diversas pessoas, as torturaram e depois as mataram.
E por que este tipo de pessoa consegue cometer seus crimes por tanto tempo, sem serem pegos?
Veja que há duas questões, aqui: como eles conseguem, e por que não são identificados e capturados com rapidez? E a resposta para ambas pode ser a mesma. Porque julgamos superficialmente, baseados na primeira impressão, que pode e frequentemente é equivocada.
Outra coisa que afeta nosso julgamento é o erro de acreditar que os outros teriam as mesmas atitudes que as nossas, que pensariam como nós, e que agiriam e reagiriam da mesma forma que nós, sob as mesmas circunstâncias. A maioria de nós acredita tanto na bondade, ou pelo menos, no bom senso, quanto duvida da maldade dos outros, baseando as capacidades alheias de fazer, seja o bem, seja o mal, nas nossas próprias capacidades, crenças e conceitos.
E por essa falha em acreditar num possível bem e duvidar da maldade inerente ao ser humano, monstros caminham entre nós, desfrutando da impunidade proporcionada pela ingenuidade da sociedade que, apesar de viver num mundo maligno, duvida da maldade alheia, principalmente se o perpetrador do mal for bonito, simpático ou meramente agradável.
E quando se trata da igreja, o problema se intensifica.
Nós cometemos o erro de confiar numa pessoa só porque ela carrega uma Bíblia e nos saúda com a "paz do Senhor".
Jesus alertou a seus discípulos, dizendo que haveriam falsos pastores, assim como joio entre o trigo, ou seja, falsos crentes entre os verdadeiros e, mesmo assim, muitos membros se deixam envolver e serem enganados por pessoas, sejam líderes ou membros, ambos fraudulentos, ou seja, pessoas de má índole que andam livremente entre os verdadeiros crentes.
A boa vontade em servir, associada ao medo de julgar, mais o desejo de crer que, porque a pessoa professa o nome de Jesus, teve o caráter transformado e é incondicionalmente boa, cria o ambiente ideal para ataques dos falsos crentes, o que pode gerar decepção, geralmente direcionada à Igreja, e não à pessoa que a causou e, em alguns casos, pessoas equivocadamente até se afastam do caminho da salvação.
Um dos piores inimigos do homem, depois dele mesmo, é a ignorância.
Há um ditado que afirma que a ignorância é uma benção. Em raros casos isso é verdade, porém a Bíblia afirma, em duas passagens, que a ignorância é um erro:
- O meu povo foi destruído porque lhe faltou conhecimento... - Oséias 4:6.
- Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus... - Mateus 22:29.
Em Oséias, o profeta fala aos sacerdotes, que não ensinavam ao povo o que deviam ensinar a respeito de Deus. Em Mateus, Jesus falava a homens que deveriam ser instruídos nos ensinamentos de Moisés, mas se desviaram da verdade.
Em ambos os casos, o povo era enganado, fosse por negligência, fosse por má intenção de seus líderes religiosos.
E isso ainda acontece nos dias atuais.
Mas hoje, embora a internet nos ofereça um volume de informação impossível de ser assimilada numa vida, devemos filtrar - leia-se "julgar" - tudo o que vemos, lemos assistimos ou oivimos, porque há muitos falsos pastores e falsos mestres usando as redes sociais como palanque, como seus palcos pessoais, ensinando coisas que não convém, fazendo falsas profecias e faslsas promessas, distorcendo a verdade do evangelho, alegando estar fazendo a obra, quando na verdade, seu objetivo é conquistar fama e riquezas às custas da crença e da devoção de pessoas que não conhecem profundamente as Escrituras.
Em Atos 17:10, 11 está escrito:
10 E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
11 Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.
Em Jeremias 17:5 está escrito:
"Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!"
Esta passagem se refere ao povo rebelde, que se afastou do Senhor, voltando-sr para outros deuses, e que confiou na própria força. Mas também pode ser interpretada de forma individual, ou seja, tanto vale para não por a confiança, dependendo da ajuda dos outros quanto para não confiar nas próprias capacidades, na própria força, mas depositar toda sua confiança e dependência unicamente em Deus.
Mas não é o que fazemos. Confiamos em qualquer um que suba num púlpito, pois basta alguns versículos bíblicos para elevá-lo automaticamente à categoria de "homem de Deus", já que ele supostamente é um vaso do Senhor.
Porém, Jesus nos alertou que muitos diriam vir em seu nome, mas que seriam lobos devoradores.
Isso, somado ao fato de que um grande número de pessoas dentro das igrejas quer ver espetáculos, como curas milagrosas, entrevistas com demônios e coisa e tal, cria um ambiente propício à contaminação e ao crescimento de indivíduos mal intencionados.
Não bastasse isso, muitos membros, por medo de ficarem marcados como "crentes mornos" ou serem colocados de canto, se calam, quando deviam, na verdade, se oporem à desordem que tomou conta das igrejas, sobretudo as pentecostais, onde se perdeu a compreensão do verdadeiro significado de liberdade, já que, em nome desta, vem-se permitindo diversos ensinamentos não bínlicos em igrejas de renome, e que vem sendo copiados por muitas igrejas menores, sem estudar, sem julgar se tais ensinamentos estão de acordo com as Escrituras.
Mas não é apenas receio do que dirão que impede os membros de se manifestarem. A maioria não tem um conhecimento profundo das Escrituras, o que possibilita:
- A introduçãoo de erros e heresias;
- A incapacidade de julgar a autenticidade do que está sendo ensinado ou pregado;
- O constrangimento de questionarem seus pastores, temendo desrespeitarem sua autoridade.
Porém, o que a maioria não sabe, é que essa autoridade não deve ser respeitada sem questionamentos. Lembre-se de Atos 17:10,11.
Em resumo, devemos julgar o que nos é ensinado, a doutrina que nos é imposta e a pregação que nos é apresentada e para que possamos fazer isso é preciso conhecimento bíblico, mas ter so menos um mínimo, embora não seja o ideal já é um começo.
Mas isso exige esforço. Porém, é necessário, caso você queira ter alguma condição de argumentar, de se defender.
Da mesma forma devemos proceder com as pessoas.
Pada confiar numa pessoa, é preciso conhecer bem seu caráter, e isso demanda convivência, o que exige tempo. Tempo para conhecer os hábitos e atitudes da pessoa.
Não devemos desconfiar de todo mundo, mas também não devemos confiar cegamente em todo mundo.
Não debemos ser inconsequentes.
Todo relacionamento começa pequeno. Vamos dando pequenos votos de confiança e, conforme a pessoa vai se mostrando confiável, vamos ampliando o crédito.
Isso irá nos livrar de futuras decepções?
Lógico que não.
A vida é repleta de decepções, e as pessoas que nos decepcionam são aquelas em quem confiamos, em quem depositamos espectativas.
Mas podemos reduzir o número de decepções se formos mais prudentes. E as decepções mais perigosas são aquelas que nos afastam de Deus.
Muitas pessoas erram ao se decepcionar com pessoas e culparem a Deus por terem confiado demais em quem não merecia confiança alguma, e não sssumem a responsabilidade de ter desobedecido a Deus confiando em outro.
Não se afaste de Deus por causa de pessoas.
Pessoas são interesseiras.
Deus te ama.
Mas procure lembrar que, embora Deus te ame, ele também é justo. Nós estamos vivendo sob a graça de Deus, mas um dia estaremos diante da sua Justiça.
Escolha com sabedoria em quem você vai depositar sua confiança. Nem todos são dignos de crédito, da mesma forma que nem todos são mal intencionados.
Observe antes de confiar.
E observe antes de desconfiar.
Junte evidências antes de julgar.
Procure ser justo.
Julgue com sabedoria.
"E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada."
Tiago 1:5
E, acima de tudo, que Deus seja o seu guia.
Deus te abençoe.