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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

ALVO MAIS QUE A NEVE, A HIPERGRAÇA E OS "HOMENS DE DEUS"

Esta semana, em diversos canais do Youtube, influencers, pastores e teólogos discutiram as afirmações de Kleber Lucas sobre a letra do hino "Alvo Mais Que a Neve" ser racista.
Isso gerou piadas e colocou outros hinos na mira, como "O Nosso General é Cristo", fosse como piada ou tratado com ares de seriedade.
As pessoas se descabelaram com as atitudes de um homem que já vem, há muito tempo, mostrando que se afastou da verdade do evangelho, se é que alguma vez andou por esse caminho. Sei que afirmar isto pode parecer chover no molhado, mas o fato de uma pessoa passar anos, às vezes décadas, dentro de uma igreja, não significa que ela faça parte do rebanho de Cristo. Inclusive pastores. Principalmente pastores.
Eu tenho que confessar que sempre tive um pé atrás com "artistas gospel". Por quê?
Porque o púlpito não é palco, mas pode facilmente ser confundido com um.
Porque o homem busca atenção e aceitação e pode, lentamente, roubar o louvor, que pertence a Deus, para si próprio.
Porque o culto é um momento para cultuar, louvar a Deus. Não é um show. Não é para você se sentir bem. É para seu crescimento espiritual.
Isso pode não se aplicar a todos os tais artistas, mbas a Igreja não é casa de show, então tais  e artistas não deveriam se apresentar nas igrejas. Há locais apropriados para isso, você frequqntemente pracisa ser confrontado, ter seu pecado jogado na cara.
Geralmente se usa o pretexto de aproveitar a fama do cantor pra atrair um grande número de pessoas com fins evangelísticos, mas na maioria dos casos a intenção é mais mundana, mesmo. Dinheiro ou status. 
Outro tipo de "artista" ou "celebridade" são os pastores pregadores da hipergraça, que ensina que Deus é todo amor e nenhuma justiça. Ensinamentos onde o homem é o centro do coração de Deus e que, para te-lo junto a Si, Deus estaria disposto a fazer vistas grossas a seus pecados, garantindo, assim, a salvação, não só de quem aceita Jesus como Senhor e Salvador - o que significa abdicar dos desejos da carne, carregar sua cruz, obedecer a Cristo, o que significa sacrificar seus desejos - mas de qualquer um que, vivendo do modo que lhe aprazer, bastaria confessar a Jesus para garantir uma vida de bem estar e a salvação eterna. Fácil assim. Esta é uma mentira e, como toda mentira, perigosa.
Mas o que ninguém comenta é o algo que é verdadeiramente importante, e a maioria das pessoas sequer percebe isso.
Tudo isso teria lá sua relevância se fosse abordado pelo ângulo correto, mas da maneira como é tratado o assunto, não passa de mera fofoca para gerar views e engajamento, que desagua justamente em, adivinha: dinheiro e status. Mas vamos ao que viemos.
No livro de Mateus está escrito:

Mateus 9

37 Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros.
38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara.

Há inúmeros falsos profetas, falsos pastores e uma quantidade assombrosa de todo tipo de picaretas que se aproveitam da ingenuidade e da preguiça de pessoas cheias de fé e vazias de conteúdo, que não gostam de ler a Bíblia, pessoas imprudentes que depositam sua fé incondicionalmente em qualquer um que se apresente como um ministro de Deus, sem, contudo, buscar saber da índole do indivíduo, de suas origens, de onde veio, por onde passou, porque saiu, quais suas influências e as obras que realizou ou de que fez parte.
Embora, em muitos casos, como mecanismo de defesa, pastores se invoquem o "não toqueis nos meus ungidos", termo que não se encontra na bíblia, mas é baseada nas passagens em que Davi se recusa matar o rei Saul - um tei ungido çor Deus - que buscava tirar sua vida injustamente.
Este é um recurso muito utilizado por pessoas que não querem ser contestadas, contrariando o ensinamento de Atos 17:10, 11:
Atos 17

10 E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
11 Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

 Boa parte dos pastores tidos como sérios, em especial nas igrejas pentecostais, não somente desobedecem o mandamento de Mateus 9:37, 38, como ainda impedem os obreiros de suas igrejas de trabalharem na obra, dando a estes alguma oportunidade para "trazer uma palavra" ou "dar uma saudação" de dez, quinze minutos, para dar tempo de dar oportunidade para outro obreiro fazer uso dos próximos dez, quinze minutos e assim por diante, só para dizer que os obreiros da igreja têm oportunidade de trabalhar na obra.
As pequenas igrejas pentecostais têm a liberdade de percorrerem lares, praças, ruas, sem a burocracia das igrejas de renome, mas seus líderes, geralmente homens que ostentam o título,  sem ter, no entanto, o chamado de pastor e, em muitos casos, nenhum preparo para assumir um posto de tamanha importância, aprisionam seus membros pelo medo, pela ameaça, usando ensinamentos como cobertura espiritual, conertura pastoral e negando a sua benção caso o membro queira sair de sua congregação, o que, indiscutivelmente, é errado. Sua preocupação é voltada tando para o controle que deixará de exercer sobre o ex-membro quanto a queda na arrecadação dos dízimos e ofertas, e não com a salvação da alma do referido membro, que deve ser o alvo dos verdadeiros pregadores do evangelho.
Estes auto intitulados homens de Deus, que abusam da autoridade que aconpanha o título que usam, seja pastor, bispo, apóstolo ou a última aberração da moda, fazem da igreja, que é o rebanho de Cristo, o seu gado particular.
A igreja é seu castelo. Sua família geralmente é a "família real", cujos membros são os únicos que sobem na hierarquia da instituição e têm reais oportunidades, enquanto seus obreiros são as gárgulas - aquelas estátuas que ficam sobre os muros dos castelos - que não fazem muito mais que adornar o fundo do salão, sentados em cadeiras luxuosas, usados apenas quando nenhuma das "autoridades" da "família real" estiver disponível.
O número de igrejas pregando o evangelho de Cristo poderia ser muito maior do que é atualmente, se ao líderes se deixassem ser liderados pelo Espírito Santo ao invés de usarem técnicas para atrair pessoas, como se Deus fosse incapaz de realizar tamanha proeza e precisasse de uma ajudinha de seu ingido. Faz algum sentido?
Uma coisa é verdede e não pode ser contestada, a responsabilidade de espalhar o evangelho é de todos e de cada um, pois o "Ide" é para todos, mas i que não pode ser ignorado é que nem todos têm o chamado evangelístico, nem todos são pastores, nem todos são líderes, e uma das funções de um bom líder é justamente formar novos líderes, mas muitos homens com chamado de evangelista, por uma questão de status, estão usurpando a cadeira de pastor, não cumprindo sua missão e, pior, impedindo outros de cumprirem as suas.
"A quem enviarei eu?"
Tais auto proclamados homens de Deus estão calando aqueles que anseiam responder: "envia-me a mim"
Este comportamento não é discutido. Na verdade, sequer é mencionado, seja por membros das igrejas, por suas lideranças ou por teólogos de internet, o que levanta uma questão:
Por quê?