sexta-feira, 5 de julho de 2013

O SAGRADO E O PROFANO

     Curiosidade. Parte essencial da natureza humana. Ela é parcialmente responsável pelo progresso científico, arquitetônico, médico, social, etc., e isso se deve, em grande parte a homens e mulheres que não se contentaram com respostas prontas do tipo "é a vontade de Deus" e "tem coisas que não cabe ao homem saber", mas que buscaram respostas para suas dúvidas ao invés de ficar conjeturando e discutindo o sexo dos anjos, tendo de enfrentar muitas e diversas dificuldades, e por vezes até encararam a morte ao defenderem suas ideias, suas visões particulares do mundo e de seu funcionamento, da própria vida.
     Se não houvessem homens corajosos como Martinho Lutero, que discordava dos ensinamentos e da exploração da ignorância do povo pela toda-poderosa Igreja Católica, será que hoje teríamos o privilégio de poder ler a Bíblia Sagrada a hora que tivermos vontade?
     Há um sem número de dúvidas que afligem o cristão moderno, algumas sendo coisas de pouca importância, mas que, devido á falta de conhecimento do povo, acaba virando um monstro que assombra e confunde, enquanto que outras se tratam de coisas verdadeiramente sérias, e que pelo mesmo motivo, acaba sendo tratado como algo sem importância.
     Em Romanos 12:1 o apóstolo Paulo nos fala sobre culto racional, ou seja, PENSADO, e não sendo como guiado apenas pelo Espírito ou, em muitos casos, pelo "espírito", por nossas emoções, nossas superstições. Se Deus nos deu a capacidade de pensar, é lógico pensar que ela deve ser usada, que essa é a vontade do Senhor, caso contrário Ele não nos teria dotado de inteligência. Assim sendo, é perfeitamente normal que tenhamos dúvidas, e que quando algo nos aflige por não termos uma resposta satisfatória, queiramos uma resposta que explique e esclareça, satisfazendo, dessa forma, nossa curiosidade, assim como nosso desejo de saber e conhecer mais de Deus, de Seu mundo e de Sua vontade para nossas vidas, tanto individual, particular, como pública, no mundo, família e na Igreja.
     É comum termos, dentro da Igreja, pessoas que fazem ou deixam de fazer certas coisas por medo de errar, e tamanho é esse medo que não perguntam por receio de pecar, pois creem que essa dúvida é falta de fé; no entanto, a Palavra de Deus diz que o que fazemos, devemos fazê-lo com fé, pois aquele que fizer algo sem fé, peca, mas como saber discernir entre o certo e o errado se guardar a dúvida para si próprio?
     Muitas pessoas são iludidas e ludibriadas porque tem tantas dúvidas, e tamanho é o seu desconhecimento da Palavra, que se deixa levar por pessoas que mostram saber um pouco mais, mas que, na verdade, são guiadas, em sua maioria, por "achismos" e por soberba, crendo que, por estarem mais tempo no evangelho, devem saber e podem, por isso, mandar mais.
     Sempre haverá aqueles prontos a acusar e julgar sem sequer pensar no que estão dizendo, e há muitas pessoas ocupando "cargos" para os quais não estão preparados. Existem muitos homens e mulheres carregando o título de pastores sem, no entanto, terem o chamado pastoral. É isso mesmo. Não basta ter "trocentos" anos de igreja, conhecer versículos bíblicos e saber falar bem. Para ser pastor, é preciso ter o chamado de Deus, pois isso é um dom, e não uma posição social dentro da Igreja. É necessário que o "pastor" saiba pastorear o seu rebanho, pois se alguém se auto intitula pastor, mesmo que tenha recebido a unção de outro pastor, isso não significa que a tenha recebido dos céus e, certamente, sua igreja poderá ruir, ou se arrastar e prejudicar vidas ao longo de sua tortuosa história. Eu já vi ambas as coisas acontecendo, e não é algo bonito de se ver. As pessoas ficam com medo de sair de determinada denominação sem a bênção do pastor, ou pensa que deve acatar a tudo o que seu líder diz por ser ele um "homem de Deus", quando na verdade, sabe tanto quanto você, e as vezes até menos.
     Não cabe a nós julgarmos, pois há apenas um Juiz. Nós fomos postos por testemunhas. Agora, no entanto, não para testemunharmos algo, o que só faremos quando do julgamento do mundo, mas para servirmos de exemplo, de testemunho, para que, ao verem nosso comportamento e mudança de vida depois de nos achegarmos a Deus, outros desejem ter e se sentir o que temos e sentimos.
     Quando o Senhor escolheu o povo que viria a ser conhecido como judeus, era essa a Sua vontade, mas o povo não compreendeu, e se afastou dos demais, não porque Deus o proibira, pois quando era de seus interesses, eles desobedeciam às ordens do Senhor, mas os judeus se tornaram uma nação soberba, crendo serem melhores, superiores aos outros por serem o povo escolhido, mas a vontade de Deus era que eles servissem de testemunho para as outras nações e elas, assim, se convertessem.
     Essa é uma das consequências da falta de conhecimento da Palavra de Deus, por isso é tão importante estudar a Bíblia Sagrada. Não no intuito de destrinchá-la, de encontrar segredos escondidos, falhas ou descobrir quando o fim virá, pois isso tudo é inútil, mas para aprender mais da vontade de Deus para as nossas vidas. Nossos deveres e direitos como cristãos e como exemplos que devemos ser.
     De nada vale buscarmos unicamente a nossa salvação se desprezamos o nosso próximo. Muito se engana quem pensa o contrário.


E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.

Efésios 4:11-14
Fonte:

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